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STF, 6x1 e facções: as frases marcantes do debate ao Senado em SP

Em uma iniciativa pioneira na história da televisão brasileira, o Grupo Bandeirantes realizou nesta quarta-feira (9) o primeiro debate eleitoral entre concorrentes ao Senado Federal. O encontro, transmitido ao vivo pela Band e pela BandNews TV, inaugurou um espaço inédito para a Casa Alta do Congresso e colocou em confronto direto os sete principais postulantes às duas cadeiras em disputa por São Paulo: Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSD), Soninha Francine (Cidadania), Marina Silva (Rede), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Geraldo Rufino (Podemos). A seguir, veja as frases marcantes de cada candidato.

Crise no Supremo Tribunal Federal (STF)

  • Geraldo Rufino "O Senado é o equilíbrio. Esse desequilíbrio entre os poderes é por falta de ação do Senado. Se o Senado estivesse agindo, fazendo o papel dele, esse desequilíbrio não estava tão descarado, tão sem credibilidade. Um país sem justiça não tem equilíbrio. O STF é a instância máxima, eles deveriam ser o exemplo. [...] Na realidade, o Senado já tinha que ter dado um rumo para isso."
  • André do Prado "Não podemos concordar com o ministro do Supremo Tribunal Federal exercendo o mandato de ministros, da forma que está acontecendo, interferindo diretamente, muitas vezes, nas decisões do Poder Legislativo, do Poder Executivo. [...] Tem que ser respeitado todos os poderes de uma forma que cada um possa exercer o seu poder com harmonia entre os poderes, mas com total liberdade. E hoje nós temos que ter senadores que tenham coragem, que não tenham não devam nada para a justiça para chegar no Congresso Nacional, no Senado Federal e poder votar, inclusive impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal, se caso esse ministro cometer o crime de responsabilidade. Porque ninguém está acima da lei."
  • Simone Tebet "Nós precisamos combater com rigor, doa quem doer. Não interessa se é Alexandre de Moraes ou André Mendonça, se é Flávio Bolsonaro ou Ciro Nogueira. Abuso de poder é abuso de poder."
  • Soninha Francine "Algumas medidas para aperfeiçoar o funcionamento do Supremo Tribunal Federal (o mandato, a idade mínima), acredito que deveriam ser também magistrados de carreira, que já tenham chegado a cortes superiores. E tem outras questões mais relacionadas mesmo à má conduta [...] Como, por exemplo, regras que já existem em vários níveis de poder público ou de empresas com bons contratos de compliance, sobre recebimento de presentes. Não pode pegar carona de jatinho sobre conflitos de interesses."

Segurança pública e sistema prisional

  • Ricardo Salles "Nós precisamos ter linha dura, colocar preso para trabalhar obrigatoriamente, mudar a audiência de custódia para que não vire essa porta geral que solta preso a cada cinco minutos. Também temos que acabar com visita íntima em cadeia, isso é um absurdo."
  • Guilherme Derrite "A visão de mundo da esquerda no combate à criminalidade e para resolver os problemas sérios de segurança pública é muito distinta daquilo que a maioria da sociedade espera. [...] São quase 60 milhões de brasileiros que vivem em territórios dominados pelo crime organizado, reflexo da política pública péssima do PT e da esquerda que as candidatas do Lula tentam esconder durante a campanha."
  • Simone Tebet "Quem coloca arma na mão do bandido é o crime organizado, é PCC e CV. Lamentavelmente, o PL Antifacção, que veio muito bem feito do Senado Federal, foi cortado no quesito de cortar o dinheiro do PCC e do crime organizado pelo relator Derrite [...] Nós temos que repor e rever o PL Antifacção, para que nós possamos ter instrumentos de colocar na cadeia aqueles que colocam a arma na mão do bandido."
  • André do Prado "Além da progressão de penas, que nós temos que mudar a progressão de penas. Bandido é condenado criminoso a 30 anos, ele tem que cumprir os 30 anos de pena. Isso já vai ser um endurecimento muito grande para com a criminalidade."

Escala de trabalho 6x1

  • Ricardo Salles "Eu votaria contra [a PEC da maneira como foi aprovada no Congresso], assim como votei na Câmara dos Deputados. Eu acho que o Estado não tem que se miscuir na relação patrão-empregado. [Toda vez que o faz, o Estado] acaba gerando desemprego, gerando pobreza. O Estado não é a solução, ele é o problema."
  • Marina Silva "Aqueles que advogam que o fim da jornada 6x1 vai ser um prejuízo para o empregador é porque não entendem nada daqueles que colaboram para que esse país possa produzir mais e melhor [...] Elas podem fazer o que quiserem com o seu tempo livre, porque acabou o tempo da escravidão. O que nós queremos é dignidade para todos os trabalhadores e que os empregadores possam usufruir do benefício de um trabalhador descansado, emocional e fisicamente."
  • Simone Tebet "Como ministra do Orçamento e Planejamento, posso dizer o seguinte: o Brasil não vai quebrar com o fim da escala 6x1, protegendo apenas aqueles que têm até 9, 10 funcionários com os instrumentos que o Estado tem. [...] O que nós não podemos é deixar de garantir dignidade às famílias brasileiras, especialmente às mulheres que têm dupla, tripla jornadas de trabalho."

Mulheres, violência e política

  • Geraldo Rufino "Essa coisa de gerar oportunidade para as mulheres produzirem. Gente, feminicídio, violência doméstica, se deixarem elas produzir para ter renda, elas se livram do agressor. Nem as mulheres que estavam aqui hoje falaram sobre isso. Liberdade econômica: essa é a força que vai rodar esse país e fazer a gente voltar a ter dignidade, prosperidade e ser um país melhor."
  • Marina Silva "São Paulo é um Estado que oferece, mas também carece. Carece, sobretudo, de lideranças políticas que não venham sofismar e que têm uma atitude de desrespeito contra as mulheres, que vem aqui fazer acusações a mulheres. Fazer acusações às mulheres, quando é um homem que sai lá do Rio de Janeiro para ser candidato ao governo do Estado de São Paulo, é tapete vermelho. Quando são mulheres, são tratadas como forasteiras. Nós temos uma biografia. Temos um serviço prestado aos nossos estados de origem e ao país. E é em nome dessa trajetória que nós estamos aqui."
  • Simone Tebet "Quando os homens se juntam e veem mulheres nos espaços de poder, colocam a pecha em nós daquilo que nós não temos nada a ver. Mas isso me relembra o seguinte: você falou de tantos homens, você viu que no maior esquema de corrupção da história do Brasil com o Banco Master, não tem uma líder, não tem uma política envolvida. Não que nós não tenhamos erros, não que nós não cometemos irregularidades e tenhamos que ser punidas por isso, mas isso mostra o quanto que nós precisamos de mais mulheres na política."
  • Guilherme Derrite "Ninguém está atacando candidatos a honra de adversários aqui ou pelo fato de serem mulheres. Nós estamos aqui tratando da incoerência apresentada pelas candidatas."

População em situação de rua e assistência social

  • Soninha Francine "Tem uma questão relacionada às pessoas em situação de rua, da qual não se trata muito na política pública que é o alcoolismo, o uso abusivo indevido de álcool. [...] A gente precisa de muito mais recurso da saúde para as pessoas em situação de rua, mais consultórios na rua e acompanhantes terapêuticos. Isso vai fazer uma diferença enorme na abordagem a essa população."
  • Geraldo Rufino "Eu sei exatamente o que passa com essa população. Eu acho absurdo um Estado rico como o nosso ainda ter nos fios de calçada aquele monte de cabana, um monte de pessoas morando na rua, as crianças morando na rua com chuva. [...] O Senado precisa se aproximar do povo. O povo não sabe quem são os dirigentes, quem são os senadores. E o Senado não conhece o povo. [O Senado] faz a legislação, mas não sabe como é que acontece na ponta."

Maioridade penal

  • Guilherme Derrite "Por ser professora [para Marina Silva], a senhora deveria ser a primeira a defender a redução da maioridade penal.[...] Se um indivíduo tem 16 anos de idade e pode decidir o futuro do nosso país por meio do voto no dia das eleições, ele já tem responsabilidade suficiente para ser punido adequadamente; coisa que, infelizmente, a nossa legislação atual não pune."
  • Geraldo Rufino "A segurança pública vai começar a ser combatida na base quando nós dermos oportunidade para os nossos jovens [...] Não tem cadeia que aguente prender tanta gente, e não tem mãe, não tem caixão que vai caber tanta criança, tanto jovem sendo mortos por conta da falta de oportunidades que ele não teve."
  • Marina Silva "Em relação à questão que você me pergunta, da menor idade, da diminuição, eu sou uma professora, e eu não acho que se deva tratar adolescentes como se eles fossem bandidos."

Reforma tributária e pacto federativo

  • Guilherme Derrite "O Estado de São Paulo contribui com cerca de 37%, 38% dos recursos federativos, e retorna muito pouco [...] O pacto federativo precisa ser revisto. Essa reforma tributária precisa ser revista. E a proporcionalidade do Estado de São Paulo precisa ser respeitada."
  • Soninha Francine "A gente não precisa esperar mais 30 anos para corrigir problemas que nós fomos capazes de identificar agora. Fácil não é, mas para que se conformar com isso?"

Mudanças no mercado de trabalho e emprego

  • Simone Tebet "Os jovens não entendem mais o mercado de trabalho, o CLT, como alguma coisa segura e garantida [...] O que a gente percebe hoje é que nós temos milhões de brasileiros e brasileiras plataformizados nas redes sociais, nos aplicativos. Eles não querem regulamentação, eles não querem patrão."
  • Geraldo Rufino "As plataformas cresceram, ficaram monstruosas, têm depósitos de distribuição absurdamente grandes, declaram bilhões de faturamento. E o cara que fica na ponta mal consegue pagar o IPVA, corre risco de vida. Eu vou dar uma caixinha para esse cara, ele se surpreende, porque é três vezes mais do que o frete que ele recebe."
  • Ricardo Salles "Nós temos que dar maior flexibilidade. Hoje existem várias maneiras de trabalho, por hora, por tarefa, por dia, por várias formas. E o Estado, toda vez que ele se imiscui na relação privada, em qualquer área, inclusive no trabalho, ele acaba gerando desemprego, gerando pobreza."

Mudanças climáticas e prevenção a desastres

  • Marina Silva "No Brasil, nós temos 2 mil e 95 municípios que são sujeitos a eventos climáticos extremos. Só aqui no estado de São Paulo são 177 municípios sujeitos a eventos climáticos extremos, onde as pessoas perdem suas casas, perdem suas lavouras, perdem suas vidas [...] Conseguimos dar um tiro de misericórdia naquilo que é o que há de mais nefasto para a mudança do clima que são as emissões de CO2, reduzindo o desmatamento que estava desenfreado no governo Bolsonaro."
  • Soninha Francine "A gente já sabe e já sabe há décadas o que precisa ser feito para reduzir as emissões de carbono e para adaptar as atividades humanas. Realmente a adaptação é urgente. Você tem uma série de teoricamente planos, prevendo intervenções para daqui a 10, 20 anos, mas eles não são planos de fato, porque não preveem recursos [...] Traduzir aquilo que hoje está no papel como um plano, mas que, na prática, não contém aquilo que um plano deve ser: etapas, responsáveis e recursos."
Fonte: Band.
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