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Polícia monitora comunidades que transmitem tortura de animais ao vivo

A morte do cão Orelha, que a polícia diz ter sido vítima de agressões, trouxe à tona uma realidade alarmante monitorada pelas autoridades de segurança: a existência de comunidades digitais dedicadas à transmissão ao vivo de cenas de crueldade extrema contra cães e gatos. Investigações da Polícia Civil de São Paulo, detalhadas no Jornal da Band, revelam que grupos com centenas de participantes incentivam a violência em troca de status e reconhecimento em plataformas acessíveis a qualquer usuário, incluindo crianças e adolescentes.

O monitoramento dessas ações é realizado pelo Núcleo de Operações e Análise Digital (NOAD), que mantém vigilância constante sobre as camadas mais sombrias da rede. 

Nesses ambientes, a lógica é perversa: quanto maior o nível de violência empregado, maior é a posição do agressor dentro da hierarquia da plataforma digital. De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, o absurdo chega ao ponto de usuários serem recompensados por atos como matar ou escalpelar os próprios animais de estimação.

Funcionamento das redes e o papel das plataformas

Ao contrário da crença popular de que tais crimes se restringem à Deep Web, a polícia esclarece que as transmissões ocorrem em redes sociais amplamente conhecidas e aplicativos de jogos. O Discord é apontado como um dos principais palcos para essas práticas, devido à possibilidade de criação de servidores fechados, controle rigoroso de acesso e facilidade para transmissões em tempo real. 

A delegada Lisandréa Salvariego, do NOAD, destaca que a interação nesses servidores é intensa, com audiências que variam de 600 a 800 pessoas que dão ordens progressivamente mais violentas.

As investigações identificaram dois perfis principais de participantes: jovens que são coagidos e ameaçados a participar dos ritos de violência e indivíduos que agem por motivação deliberada. O processo de aliciamento costuma ser sutil, evoluindo de simples interações para desafios de alta periculosidade. Além dos maus-tratos a animais, esses grupos também estimulam a automutilação, a tortura de seres humanos e o suicídio.

Resultados das operações e entraves nas investigações

A identificação rápida dos envolvidos enfrenta obstáculos devido à falta de cooperação de algumas plataformas digitais, segundo apontam as autoridades. Apesar disso, o trabalho de inteligência tem gerado resultados significativos nos últimos 18 meses. Desde o início do monitoramento sistemático, 208 adolescentes foram apreendidos e 61 adultos foram presos por envolvimento direto nessas redes criminosas.

No âmbito da proteção animal, as operações de resgate foram responsáveis por salvar mais de mil cães e gatos com vida no mesmo período. A prioridade das equipes do NOAD é a interrupção imediata da violência para garantir a sobrevivência das vítimas. Nos casos em que o resgate não ocorre a tempo, a Polícia Civil foca na investigação para identificar e punir os agressores conforme a legislação vigente de crimes ambientais e maus-tratos.

Fonte: Band.
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