A avaliação inicial de investigadores da Polícia Federal (PF) sobre o material entregue por Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, em sua delação premiada é de que as informações são superficiais e não acrescentam elementos relevantes além do que a própria corporação já havia apurado. A expectativa gerada pela colaboração não se confirmou, ao menos neste primeiro momento.
Segundo fontes ligadas à investigação, Vorcaro explicou os contratos firmados com a empresa da mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes (STF), Viviane Barci, mas blindou o próprio ministro, evitando aprofundar qualquer envolvimento direto dele nas tratativas.
O empresário também apontou nomes de políticos, entre eles o senador Ciro Nogueira (PP-PI), alvo de operação da PF nesta quinta-feira (7), e o ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB).
O cenário muda de figura quando o assunto é a delação de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB). Para os investigadores, o depoimento de Costa deve ser consideravelmente mais robusto do que o de Vorcaro.
A avaliação é de que o ex-banqueiro, diferentemente do empresário, não possui o mesmo prestígio e, por isso, teria menos condições de proteger aliados, o que o tornaria mais propenso a revelar informações de maior valor para a investigação.