A Polícia Federal intimou o senador Jaques Wagner (PT-BA), ex-líder do governo Lula no Senado, para prestar depoimento no início de agosto sobre suspeitas de recebimento de propina do Banco Master.
Os investigadores querem ouvir o parlamentar sobre o pedido que ele fez ao ex-sócio do Banco Master Augusto Lima para a compra de um apartamento de 2,5 milhões de reais em Salvador, destinado à filha do senador. A PF também pretende questioná-lo sobre a tentativa de venda de um terreno em Camaçari, na região metropolitana da capital baiana, por 15,8 milhões de reais, um dia após o cumprimento de mandados de busca e apreensão.
A data inicialmente prevista para o depoimento é 7 de agosto, mas a defesa de Wagner ainda pode solicitar sua dispensa. Procurados, os advogados não informaram se o senador vai comparecer. Na mesma semana, a PF deve interrogar outros investigados no inquérito.
Em entrevista após a operação, Jaques Wagner admitiu ter pedido a Augusto Lima a compra do apartamento, mas afirmou que pretendia pagar o imóvel posteriormente e negou ter favorecido o Banco Master em sua atuação no Senado.
Venda de terreno barrada após bloqueio de bens
Reportagem do jornal Estadão revelou que o senador registrou em cartório, em 19 de junho, uma operação de venda de um terreno em Camaçari por 15,8 milhões de reais, um dia depois da busca e apreensão autorizada pelo Supremo Tribunal Federal.
O 1º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari barrou o negócio após o ministro André Mendonça, relator do caso no STF, determinar o bloqueio de bens do senador. Segundo o cartório, o registro apontou a indisponibilidade do imóvel de Jaques Wagner em cumprimento a protocolo expedido pelo ministro.
A operação faz parte do mesmo inquérito que apura se o senador recebeu vantagens indevidas do Banco Master, suspeita que ele nega por meio de sua defesa.
Defesa de Wagner fala em negociação antiga
A defesa do senador negou irregularidades e afirmou que a venda do terreno é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, grupo que comanda a SAF do Esporte Clube Bahia, conforme os documentos apresentados.
De acordo com os advogados, o acordo previa a permuta do imóvel por lotes do empreendimento e o pagamento antecipado de 2 milhões de reais, valor declarado à Receita Federal. Eles dizem que o imposto sobre o ganho de capital foi recolhido em 30 de junho de 2025.
A defesa acrescenta que a escritura pública foi lavrada em maio de 2026, preservando a natureza da operação como uma permuta, e sustenta que todas as etapas seguiram a legislação.
Terreno em projeto ligado ao Bahia
A área pertencente ao senador fica na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda o Esporte Clube Bahia, em parceria com companhias do setor imobiliário.
A previsão é que o terreno integre um empreendimento imobiliário anexo a um novo centro de treinamento do clube. A diretoria de comunicação do Bahia informou que adquiriu terrenos de quatro proprietários diferentes na região, com critérios de mercado.
Segundo o clube, a área que era de Jaques Wagner corresponde a 9,6% do total adquirido. A diretoria afirmou ainda que o bloqueio judicial do imóvel não deve prejudicar a construção do empreendimento.
Empresa compradora detalha negócio
A Lagoons Empreendimentos, empresa compradora do terreno, declarou que o processo de aquisição de imóveis começou em 2024, com a compra de áreas de diferentes proprietários selecionadas com base em critérios técnicos ligados à implantação do projeto.
De acordo com a companhia, o terreno que pertenceu a Jaques Wagner foi adquirido em maio de 2025 e representa 9,6% da área onde será construído o empreendimento anexo ao centro de treinamento do Esporte Clube Bahia SAF.
A empresa informou que todas as aquisições seguiram critérios de mercado, foram validadas por consultorias independentes e passaram por uma due diligence, incluindo a análise de certidões do cartório de registro de imóveis que, segundo a Lagoons, não apontaram restrições que impedissem a escritura pública.
Na nota, a Lagoons afirma que apenas deu continuidade aos trâmites registrais necessários para formalizar a transferência do imóvel, processo iniciado em maio de 2025.
Com informações do Estadão Conteúdo.