A Justiça condenou Carlos Eduardo da Silva a 21 anos de prisão pelo assassinato da própria filha recém-nascida de apenas sete meses. O crime aconteceu em março de 2023, na zona rural de São José do Barreiro, no interior de São Paulo.
De acordo com a sentença da Comarca de Bananal, o réu foi julgado pelo Tribunal do Júri, que reconheceu a autoria e a materialidade do crime. Os jurados também consideraram que o homicídio foi cometido por motivo fútil e com emprego de meio cruel, além da agravante de o crime ter sido praticado por ascendente contra menor de 14 anos.
Segundo o processo, após matar a filha, o homem ainda ocultou o cadáver da vítima e comunicou falsamente um crime às autoridades, tentando induzir a investigação a erro. Na sentença, a juíza Luciene Belan Ferreira Allemand fixou a pena em 21 anos de reclusão, além de 1 mês de detenção e 10 dias-multa. O regime inicial estabelecido para o cumprimento da pena é fechado.
A Justiça também determinou a manutenção da prisão preventiva do réu, considerando a gravidade do caso e a necessidade de garantia da ordem pública.
A reportagem da Band Vale tenta contato com a defesa do réu e aguarda retorno. O espaço segue aberto para qualquer posicionamento.
Relembre o caso
Um casal foi preso na tarde desta segunda-feira (20), por volta das 17h, após matar um bebê de sete meses em São José do Barreiro-SP. Segundo informações da Polícia Civil, os suspeitos mataram a criança e foram na delegacia fazer um boletim de ocorrência de sequestro. Os investigadores desconfiaram e após questionamentos o casal acabou confessando o crime.
Versão da mãe
Na época, a mãe, uma adolescente de 17 anos, explicou que tomava banho na noite de domingo (19) quando viu o marido jogar a criança contra o colchão. Quando saiu do banho, ela viu que a cabeceira de madeira da cama estava sobre a cabeça do bebê e percebeu que sua filha estava morta.
Ainda de acordo com a jovem, o homem sugeriu enterrar o corpo. Com isso, os dois saíram da casa e escolheram um local na parte de fora para cavar um buraco e ocultar o cadáver.
Depois disso, eles voltaram para a cama e dormiram. Na segunda (20), assim que acordaram decidiram ir até a delegacia inventar uma história.
A história era que o casal decidiu levar a bebê até a casa da mãe de Carlos, pois a criança chorava muito. No caminho, em uma estrada escura e de terra batida, eles teriam sido abordados por um veículo com dois homens desconhecidos, que anunciaram assalto. A dupla pediu a carteira e dinheiro, mas como o casal não possuía qualquer valor optaram por levar a bebê.
A mulher afirmou que não procurou a polícia ou uma unidade de saúde porque foi ameaçada pelo companheiro.
Versão do pai
Já segundo o pai da bebê, Carlos, de 23 anos, ele teria jogado a filha contra o colchão por ela não parar de chorar, mas foi interrompido pela esposa, que o chamou para tomarem banho juntos.
Ele conta que, quando saiu do banho, viu a cabeceira da cama em cima da testa do bebê e viu que ela já estava sem vida. De acordo com o pai, o casal estava consumindo bebidas alcoólicas e maconha e decidiu dormir antes de resolver o que fazer com o corpo.
Na segunda de manhã, quando acordaram, ele explica que os dois concordaram em enterrar o cadáver e inventar a história do sequestro para não serem presos.