A Universidade Estadual Paulista (Unesp) criou um curso de graduação inédito na América Latina voltado ao estudo da China, com possibilidade de dois anos de formação no exterior e diploma duplo. O bacharelado em língua e cultura chinesas será oferecido em parceria com a Universidade de Hubei, em Wuhan, e terá ênfase em relações comerciais internacionais.
A primeira turma deve começar em agosto, com 40 vagas oferecidas no vestibular de meio de ano. O curso será ministrado à noite na Faculdade de Ciências e Letras do campus de Assis e terá duração mínima de quatro anos.
Segundo o vice-reitor da Unesp, Cesar Martins, a criação responde ao avanço da presença chinesa na economia e na cultura do Brasil.
A China vem ganhando protagonismo global nas últimas décadas e se tornou o principal parceiro comercial da grande maioria dos países latino-americanos. O Estado de São Paulo, em particular, tem recebido investimentos de centenas de empresas chinesas com instalações e escritórios de negócios espalhados pelo estado.
Ele acrescenta que a presença dessas empresas vai além do interesse econômico. "Esta nova realidade requer profissionais diferenciados, com domínio da língua e cultura da China. Foi nesta linha de pensamento que a Unesp, em parceria com a Universidade de Hubei, na China, formataram o curso", explicou Martins.
Como funciona a formação e o intercâmbio na China
Os dois primeiros anos do curso serão dedicados ao aprendizado do idioma. Ao final desse período, entre 15 e 20 estudantes poderão seguir para a Universidade de Hubei, conforme o nível de proficiência e o desempenho acadêmico.
Quem concluir a graduação apenas no Brasil terá formação com ênfase em tradução. Já os alunos que estudarem na China terão foco em relações comerciais internacionais. O país asiático é o principal parceiro comercial do Brasil e movimentou US$ 171 bilhões em trocas com o país no último ano.
A criação do curso também integra a estratégia de internacionalização da universidade e responde à demanda do mercado por profissionais especializados na relação Brasil-China. A Unesp foi a primeira universidade pública brasileira a sediar um Instituto Confúcio, programa global de difusão da língua e cultura chinesas presente em mais de 90 países.
"No ano passado, somente no segundo semestre, o instituto teve quatro mil alunos matriculados em seus cursos de chinês", disse Martins. "A experiência do Confúcio mostra claramente o grande interesse dos brasileiros pelo estudo da língua chinesa. No entanto, esse curso é diferenciado, pois prepara um profissional que domina a língua e também tem conhecimentos de cultura, comércio e relações externas no âmbito Brasil-China."
Durante o anúncio oficial, na terça-feira (10), a reitora Maysa Furlan destacou o caráter estratégico da parceria acadêmica. "As universidades da China se projetam como as primeiras em alguns rankings internacionais, têm uma ciência avançada e a Unesp já tem uma relação social e cultural com a China estabelecida", afirmou.
"A nova graduação tem uma proposta bastante inovadora, que é formar o estudante em diferentes perspectivas de atuação e vem validar e ampliar essa parceria, oferecendo à sociedade a formação de pessoas para esse mercado Brasil-China que vem se acentuando", acrescentou.
Por se tratar de uma iniciativa inédita na América Latina, a universidade também espera atrair estudantes de países vizinhos.