O cantor Wesley Safadão se pronunciou nesta terça-feira (5) sobre a polêmica envolvendo o recebimento de cachês pagos com dinheiro público por prefeituras de municípios pequenos. O artista afirmou estar com a "consciência tranquila" e ressaltou que está apenas executando o seu trabalho, sem forçar contratações por parte dos gestores municipais.
A controvérsia ganhou força após Renan Santos, um dos fundadores do Movimento Brasil Livre (MBL), publicar vídeos apontando o artista como um "ícone da corrupção". O político critica os altos valores pagos por prefeituras de cidades pobres, citando como exemplo contratos que chegariam a R$ 2,5 milhões, dos quais Safadão receberia cerca de R$ 1,3 milhão.
O posicionamento de Safadão
Em sua defesa, Wesley Safadão, que recentemente se envolveu em polêmica com Gusttavo Lima, enfatiza que não existe "artista caro", mas sim "artistas que não se pagam". Ele ressalta que o valor cobrado reflete os custos de uma megaestrutura, que inclui banda, deslocamento e equipamentos de última geração.
Ninguém está cometendo um crime, a gente está executando o nosso trabalho. Ninguém está colocando a faca no pescoço de ninguém para nos contratar
Safadão afirma ainda que, em ano eleitoral, "tudo vira política" e que prefere seguir trabalhando com foco na felicidade de sua carreira.
A disputa judicial entre o cantor e o político já teve desdobramentos. O artista entrou com uma ação por calúnia e difamação, resultando em uma decisão judicial no final de abril que determinou a retirada de vídeos ofensivos das redes sociais de Renan Santos. No entanto, o político voltou a criticar publicamente os contratos públicos para eventos festivos.
Gastos bilionários e prefeituras endividadas
Uma investigação realizada pelo portal UOL trouxe dados que ampliam o debate para além da figura do cantor. Segundo o levantamento, prefeituras brasileiras desembolsaram cerca de R$ 5 bilhões com shows musicais nos últimos dois anos. O dado mais alarmante indica que mais de R$ 2 bilhões desse total foram gastos por municípios que se encontram em situação de endividamento.
No programa Melhor da Tarde, Janaina Nunes avalia que a responsabilidade maior recai sobre os gestores públicos e não sobre os artistas. "A culpa aí é de quem paga. O dinheiro é para ser usado com benefícios para a cidade. Garanto que saneamento básico e assistência estão faltando", pontua a jornalista.
Janaina Nunes destaca também o caso de Coxixola, na Paraíba. O prefeito da cidade, que possui apenas 1,8 mil habitantes, pediu o arquivamento de uma representação do Ministério Público no Tribunal de Contas do Estado que questionava gastos excessivos com festas. Pelas contas apresentadas no programa, o custo por habitante para um show desse porte seria desproporcional à realidade local.