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Lula sobre nova investigação contra Lulinha: 'Se for culpado, vai pagar'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, nesta quinta-feira (30), que não vai usar de seu cargo para proteger o filho mais velho, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, caso ele seja condenado em casos de corrupção em que é investigado. A fala veio horas depois de o STF abrir um novo inquérito contra Lulinha, que será investigado por tráfico de influência.

“Se meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como o filho de qualquer pessoa, como eu [fui]. Não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado ou juiz não fazer as coisas corretas”, afirmou o presidente em entrevista ao podcast Inteligência Limitada.

Lula também disse que o filho “não tem o direito de errar”, sobretudo por ter visto o próprio pai ser “chamado de ladrão o tempo todo”. Segundo o presidente, o filho, que mora na Espanha desde 2023, diz que, se for julgado, voltará ao Brasil para responder às acusações presencialmente.

[Ele] não vai ficar escondido, não. Não vou usar meu cargo para proteger. Ele vai vir para cá e vai ter que provar que é inocente, como eu provei. Se for culpado, ele vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando errar.”

No programa, Lula abordou temas ligados à trajetória de vida, lutas políticas e sociais e a possibilidade de um quarto mandato presidencial. Lula também antecipou que, se reeleito, seu foco estará em investimento nas áreas de educação, tecnologia, ciência e inovação.

Entenda novo inquérito da PF que mira Lulinha

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou a Polícia Federal (PF) a abrir um inquérito autônomo para investigar o empresário, que é filho mais velho de Lula. A apuração foca em suspeitas de tráfico de influência no governo federal.

O nome de Lulinha surgiu originalmente nas apurações sobre desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Ele foi vinculado ao empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS”, apontado como um dos líderes do esquema de fraudes no órgão.

A PF apurava se o filho do presidente atuava como "sócio oculto" de Antunes. Lulinha admitiu ao STF ter feito uma viagem a Portugal com despesas pagas por Antunes para prospectar negócios de cannabis medicinal.

A aproximação entre os dois contou com a mediação da empresária Roberta Luchsinger, amiga de Lulinha, que recebeu R$ 1,5 milhão de Antunes sob justificativa de consultoria de regulação do setor.

Por que foi aberto um novo inquérito?

A Polícia Federal concluiu que as suspeitas envolvendo Lulinha não possuem ligação direta com as fraudes do INSS. Por isso, solicitou a abertura de uma investigação independente. Embora a PF tenha sugerido a distribuição livre no STF, a presidência da Corte enviou o caso a André Mendonça por entender que havia uma conexão de origem com o processo do INSS que ele já relata.

Agora, a Polícia Federal vai investigar se Lulinha usava o nome ou proximidade da família para "vender acesso" a integrantes do governo federal. Também serão apuradas suspeitas envolvendo o Palácio do Planalto e o Ministério da Saúde.

O que diz a defesa de Lulinha?

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, representada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, afirmou que recebeu a decisão com tranquilidade e reiterou que Lulinha jamais recebeu qualquer pagamento ou vantagem por negócios com o governo federal. A equipe jurídica também classificou a abertura do novo inquérito como estranha e fruto de uma "pesca probatória".

Segundo a defesa, como a PF não encontrou irregularidades no caso do INSS, estaria migrando para outras frentes sem elementos concretos. Desta forma, a defesa de Lulinha destacou que a autonomia da PF deve ser exercida com responsabilidade para manter sua credibilidade.

Fonte: Band.
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