A influenciadora Lulu Ty emocionou seguidores ao relatar a morte do filho, Leo, descoberta apenas após o parto, quando percebeu que o bebê não chorou ao nascer. O caso gerou comoção nas redes sociais e reacendeu discussões sobre monitoramento fetal durante o parto e protocolos de acolhimento a famílias que enfrentam perda gestacional, fetal ou neonatal.
Em uma carta publicada nas redes sociais, Lulu descreveu o amor e a expectativa construídos ao longo da gestação e falou sobre a dor da despedida inesperada.
“Antes mesmo de você existir dentro de mim, você já era amado. Você foi sonhado, desejado e esperado pelos seus pais com todo amor do mundo”, escreveu.
No texto, ela relembrou os nove meses de gestação, marcados por mal-estar constante, mas também pela esperança alimentada a cada consulta e exame.
“A nossa caminhada não foi fácil. Foram 9 meses difíceis, passando mal todos os dias, vomitando, cansada, mas eu suportava tudo em silêncio porque sabia que você estava bem.”
A influenciadora afirmou que, até a última consulta de pré-natal, não havia indicação de problemas com o bebê.
“Em todos os exames, em cada consulta, você estava crescendo saudável, chutando forte e enchendo nossos corações de esperança, até no seu último pré-natal.”
Ela também falou sobre o momento em que viu o filho nascer e o impacto de perceber que ele não chorava.
“Quando eu te vi nascer, mesmo naquele momento tão difícil, meu coração transbordou amor. E quando te peguei no colo, eu senti o amor mais puro que existe nesse mundo.”
“Só descobri quando ele saiu da minha barriga e não chorou”
Em um vídeo publicado posteriormente, Lulu detalhou como recebeu a notícia.
“Ontem, quando eu cheguei na maternidade, eu só descobri que o Léo tinha morrido quando ele saiu da minha barriga e não chorou. E eu vi ele saindo da barriga.”
Segundo ela, ela e o companheiro aguardavam o choro do bebê após o nascimento.
“Quando ele saiu, eu e o Filipe ficamos tão felizes. E a gente ficou esperando o bebê chorar e nada. E aí veio a pior notícia da nossa vida.”
A influenciadora contou que havia passado pelo pré-natal cerca de uma semana antes do parto e que o bebê apresentava desenvolvimento considerado normal.
“Uma semana antes do nascimento, eu tive pré-natal, ele estava saudável, estava mexendo, estava se desenvolvendo. E uma semana depois o pré-natal foi o parto. São 38 semanas.”
De acordo com o relato, a hipótese médica levantada até o momento é de um possível infarto placentário associado à trombofilia, condição que pode comprometer a circulação sanguínea da placenta e reduzir ou interromper o fornecimento de oxigênio ao bebê.
Ela afirmou ainda que não havia sinais aparentes de malformação.
“O Léo não tinha nenhuma malformação. O meu bebê era lindo. O peso dele era o peso ideal.”
Desabafo sobre a forma como a morte foi descoberta
Em outro relato, Lulu questionou a ausência de avaliação dos batimentos cardíacos do bebê antes do parto e afirmou que a forma como recebeu a notícia foi “desumana”.
“A forma como a gente descobriu a morte do Leo foi muito desumana. Na hora que saiu da barriga, a gente pronto pra acolher, pra dar amor e ele sem vida já.”
Ela acrescentou:
“O hospital deveria ter checado pelo menos os batimentos cardíacos do bebê antes do parto. Checaram meus batimentos, minha pressão, minha temperatura, mas nada na minha barriga.”
A influenciadora ressaltou que entende que o desfecho poderia não ser evitado, mas acredita que a família poderia ter sido preparada.
“Eu sei que não teria evitado, mas teria nos preparado para essa dor horrível.”
O que dizem os protocolos de assistência ao parto?
Embora não exista uma lei nacional determinando que os batimentos cardíacos fetais precisem ser verificados em intervalos idênticos em todos os partos, o acompanhamento do bebê integra a assistência obstétrica durante o trabalho de parto.
Na prática, o monitoramento envolve não apenas a mãe, mas também o feto.
Durante o trabalho de parto, as equipes costumam acompanhar parâmetros maternos — como pressão arterial, temperatura, frequência cardíaca e evolução das contrações — e também os batimentos cardíacos fetais (BCF).
Em gestações de baixo risco, o acompanhamento pode ocorrer por ausculta intermitente com sonar ou doppler fetal. Em situações específicas, como gestações de maior risco ou suspeita de sofrimento fetal, pode ser indicada monitorização contínua por cardiotocografia.
A avaliação dos batimentos fetais busca identificar possíveis sinais de sofrimento, alterações de oxigenação e mudanças no estado do bebê.
Em casos de óbito fetal identificado antes ou durante o parto, prontuários, registros dos batimentos fetais, exames e anotações médicas costumam ser elementos analisados posteriormente para avaliação da assistência prestada.
Lei criou política nacional para acolhimento de famílias em luto
O caso também ocorre em um momento em que o Brasil passou a contar com legislação específica sobre acolhimento de famílias que enfrentam perdas gestacionais e neonatais.
A Lei nº 15.139/2025 instituiu a Política Nacional de Humanização do Luto Materno e Parental e estabeleceu protocolos para atendimento de mulheres e familiares em casos de perda gestacional, óbito fetal e óbito neonatal.
Entre as medidas previstas estão:
- atendimento humanizado nos serviços públicos e privados;
- encaminhamento para acompanhamento psicológico após a alta hospitalar;
- assistência social para trâmites legais;
- protocolos de comunicação entre equipes de saúde;
- capacitação permanente dos profissionais;
- espaço e tempo para despedida do bebê;
- direito de participação da família nos rituais de despedida;
acomodação separada para mães que sofreram perdas gestacionais, evitando permanência junto às demais parturientes.
A lei também determina que hospitais ofereçam ambiente adequado para que familiares possam se despedir do bebê e garante o direito de os pais atribuírem nome ao natimorto.
Outro ponto é que a norma prevê que a União elabore protocolos nacionais de humanização do luto, embora o texto não detalhe especificamente como deve ocorrer a comunicação da morte à família.