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Impressão 3D e robôs: conheça o futuro da construção civil de baixo custo
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A Bienal de Arquitetura de São Paulo apresenta, nesta edição, projetos inovadores que buscam modernizar a construção civil e reduzir o preço final das moradias. Entre os destaques da mostra, estão casas erguidas com tecnologia de impressão 3D e métodos que resgatam o uso do barro e da madeira. As soluções visam não apenas a eficiência estética, mas a redução do desperdício de materiais e a economia de energia.

A arquitetura contemporânea tem buscado respostas tanto no futuro quanto no passado. Um dos exemplos é uma residência construída com barro e madeira, inspirada na técnica colonial da taipa de pilão. O projeto prioriza a ventilação natural e a entrada de luz, diminuindo a dependência de sistemas de climatização.

Para o arquiteto André Lattari, o uso do barro deve ser mais difundido por ser o material mais acessível disponível em qualquer canteiro de obras. Ele ressalta que o componente possui tecnologia e beleza, permitindo construções sustentáveis e de baixo custo.

Tecnologia 3D e a industrialização do setor

Outra atração que atrai olhares na Bienal é uma casa com pilares impressos em 3D. O processo utiliza um robô que injeta camadas de microcimento, um material com resistência equivalente ao concreto tradicional. O objetivo central desta tecnologia é promover uma construção industrializada, com menos perdas de insumos e menor necessidade de mão de obra intensiva.

Segundo o arquiteto e engenheiro civil Lula Gouveia, a jornada para a industrialização torna a montagem mais eficiente. Ele explica que, embora ainda seja uma técnica emergente, a tendência é de viabilização comercial em curto prazo. Para ele, se o projeto for pensado especificamente para essa tecnologia, a impressão 3D de casas deve se tornar uma realidade comum no mercado brasileiro em cerca de cinco anos.

Lula Gouveia pondera, no entanto, que o custo do maquinário ainda é um desafio. Atualmente, no Brasil, o método tradicional com blocos de alvenaria permanece mais barato do que o uso de robôs. A curva de aprendizado e o investimento em equipamentos são os principais fatores que ditam o preço atual.

Redução de custos em moradias populares

A inovação por trás do microcimento e do software de impressão foi desenvolvida por uma startup em parceria com pesquisadores da USP. O engenheiro Gabriel Brasileiro explica que o desafio técnico foi criar uma matéria-prima que fosse "bombeável" para a deposição das camadas, mas que mantivesse a forma sem ceder ao peso das estruturas superiores.

O professor da Escola Politécnica da USP, Rafael Pileggi, destaca o potencial social da técnica. Segundo ele, por utilizar matérias-primas nacionais, o produto final alcança uma formulação até oito vezes mais barata que equivalentes internacionais.

Isso torna o produto muito mais competitivo comercialmente, inclusive para o uso em moradias populares

Além da questão financeira, o especialista ressalta que o uso de robôs aumenta a segurança e a produtividade, já que as máquinas podem operar em condições climáticas adversas, como chuva, e entregam estruturas extremamente firmes. Em países como o Japão, casas feitas com tecnologia similar são projetadas para resistir a terremotos.

Fonte: Band.
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