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Faxina de PMs e marcas no corpo: 5 perguntas sem respostas do caso Gisele

Mais de três semanas após a morte da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, o caso, inicialmente registrado como suicídio e agora tratado como morte suspeita, ainda não foi esclarecido. Imagens de câmeras de segurança e novos laudos periciais trouxeram à tona elementos que sugerem a contaminação da cena do crime e possíveis agressões antes do disparo que vitimou a policial.

A investigação agora tenta entender por que o local foi higienizado poucas horas após o crime e qual a relevância das figuras que estiveram no apartamento antes da conclusão dos trabalhos periciais. Abaixo, detalhamos as cinco questões que permanecem em aberto:

1. Por que o apartamento foi limpo horas após a perícia?

Imagens de câmeras de segurança mostram três policiais militares a paisana entrando no apartamento às 18h do dia do crime - apenas dez horas após Gisele ser encontrada com um tiro na cabeça. Segundo funcionários do condomínio, elas foram ao local especificamente para realizar a limpeza do imóvel. Como a perícia técnica havia deixado o prédio apenas às 14h10, a higienização precoce pode ter removido vestígios biológicos fundamentais para a reconstrução do fato.

2. O que explica os 29 minutos entre o disparo e o pedido de socorro?

Uma vizinha relatou ter ouvido o som do disparo às 07h28 da manhã. No entanto, a primeira ligação feita pelo marido de Gisele, o tenente-coronel Geraldo Neto, para a Polícia Militar só ocorreu às 07h57. A polícia investiga o que aconteceu nesse intervalo de quase meia hora e por que o socorro não foi acionado imediatamente.

3. Por que o laudo inicial deixou tantas lacunas?

O primeiro laudo necroscópico, feito na madrugada do dia 19 de fevereiro, apontou marcas de pressão de dedos embaixo da mandíbula de Gisele, mas não conseguiu responder a questões básicas, como se a policial estava grávida ou sob efeito de alguma substância (dopada). A necessidade de um laudo complementar, que confirmou lesões na face e arranhões com marcas de unha, levou o delegado a solicitar a exumação do corpo.

4. Qual o papel do desembargador que esteve no local?

O desembargador Marco Antônio Pinheiro Machado Cogan, do Tribunal de Justiça de São Paulo, chegou ao prédio às 09h07 da manhã do dia do crime, pouco após o ocorrido. Ele afirmou que foi ao local por ser amigo pessoal do tenente-coronel Geraldo Neto. A Secretaria de Segurança Pública confirmou que o magistrado foi ouvido como testemunha, mas o conteúdo de seu depoimento permanece sob sigilo.

5. Por que policiais voltaram ao imóvel em busca de munições?

No dia seguinte à morte, dois policiais militares retornaram ao apartamento e permaneceram lá por cerca de uma hora. Segundo o porteiro do prédio, eles alegaram que precisavam buscar munições da soldado Gisele. Relatos indicam que os agentes saíram sem encontrar nada, mas a visita levanta dúvidas sobre a necessidade de retornar a uma cena de morte suspeita sem a presença de peritos civis.

"Intenção dolosa de macular a cena"

Para o advogado da família de Gisele, Miguel Silva, o conjunto dessas ações reforça a tese de feminicídio com tentativa de ocultação de provas. "O local foi completamente mexido, revirado. Policiais se apresentaram lá cumprindo ordens para limpar o apartamento. Isso só reforça a intenção dolosa de macular a cena", declarou o defensor.

Fonte: Band.
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