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Documentos revelam negócio de R$ 27 milhões entre primo de Toffoli e resort

Documentos exclusivos obtidos pelo Jornal da Band revelam novos detalhes sobre as conexões entre familiares do ministro Dias Toffoli e o Tayayá Aqua Resort, localizado em Ribeirão Claro, no Paraná. Os registros detalham uma operação imobiliária de quase R$ 27 milhões envolvendo um primo do magistrado, realizada pouco antes de Toffoli se tornar relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF).

A operação do Sítio São João

A investigação aponta que o imóvel negociado é o Sítio São João, uma área de 41 hectares situada ao lado do resort. A escritura do terreno, datada de 19 de agosto de 2025, indica que a compra foi efetuada pela empresa DGEP Empreendimentos e Participações.

Entre os administradores da DGEP figuram Mário Umberto Degani, empresário e primo de Dias Toffoli, e a PHB Holding, representada pelo advogado Paulo Humberto Barbosa. O pagamento da transação foi estruturado da seguinte forma:

  • Dinheiro: Aproximadamente R$ 20 milhões pagos em espécie.
  • Cotas: R$ 6,69 milhões quitados por meio de cotas de multipropriedade do próprio Tayayá Aqua Resort.

Mudanças societárias e o Fundo Arleen

O que desperta atenção nas investigações é o cronograma das ações. Em julho de 2025, empresas de Paulo Humberto Barbosa adquiriram as participações de Mário Umberto Degani e do Fundo Arleen — este último ligado à rede de fundos investigada no caso do Banco Master. Com isso, o advogado tornou-se o dono único do resort. No mês seguinte, a PHB Holding comprou o sítio vizinho, mantendo o primo de Toffoli como administrador na negociação.

O magistrado admitiu ser sócio da Maridt, empresa familiar que integrou o grupo controlador do Tayayá até fevereiro de 2024.

Posicionamento e controvérsias

Em nota, o ministro Dias Toffoli esclareceu que a Maridt é uma empresa de capital fechado administrada por seus parentes. Ele afirmou que integra o quadro societário apenas para o recebimento de dividendos, sem exercer qualquer função de gestão ou administração.

A defesa do ministro também destacou os seguintes pontos:

  • Ausência de vínculo: Toffoli afirma que jamais recebeu valores de Daniel Vorcaro ou de Fabiano Zettel, figuras centrais do caso Master.
  • Cronologia: A relatoria do caso foi distribuída a ele em novembro de 2025, período em que a Maridt já não possuía mais participação no grupo Tayayá.
  • Contradições familiares: Apesar das notas oficiais, um vídeo divulgado pela imprensa mostra a esposa de um dos irmãos do ministro afirmando desconhecer a participação de Toffoli na Maridt ou no resort.

Até o momento, não há comprovação de ilegalidade nas transações citadas.

Fonte: Band.
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