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Dispositivos monitoram saúde em tempo real, mas não substituem médico

Um aviso no pulso, outro no celular: alertas de batimento cardíaco, de glicose e de oxigenação fazem parte da rotina de um número crescente de pessoas que passaram a acompanhar o próprio corpo em tempo real.

Esses dispositivos permitem que o usuário assuma cada vez mais o controle da própria saúde, mas médicos e especialistas alertam que eles não substituem o acompanhamento profissional nem a validação dos resultados.

É assim que Amanda Coca convive com o diabetes. A cada 15 dias, ela aplica no braço um sensor que mede a glicose 24 horas por dia e envia as informações para um aplicativo no celular e para o relógio, sinalizando as subidas e descidas do açúcar no sangue.

"Eu não preciso ficar me furando o tempo inteiro, como a medição antiga fazia. Eu já consigo ver a flutuação; se eu estou tendo picos muito fortes, quedas muito bruscas, ele me avisa", conta a revisora de texto.

Além de facilitar o dia a dia de quem tem uma condição crônica, esses aparelhos ajudam a identificar mudanças que muitas vezes passariam despercebidas.

Uma pesquisa feita nos Estados Unidos revela que mais de 40% das pessoas já usam algum dispositivo de monitoramento de saúde, equipamentos que ficaram mais precisos nos últimos anos.

Para o especialista em tecnologia e inovação Arthur Igreja, a maior adesão está ligada tanto ao amadurecimento dos produtos quanto a uma mudança de hábito.

Segundo ele, apesar da grande oferta, os dispositivos precisam ser aprovados por órgãos reguladores, que já separam os bons dos ruins – movimento que ganhou força principalmente depois da covid, quando muita gente adquiriu o hábito de se monitorar.

O uso de relógios inteligentes para acompanhar indicadores como frequência cardíaca, sono e oxigenação do sangue se popularizou nesse período.

Ainda assim, os aparelhos não excluem o acompanhamento médico. O cardiologista Pedro Ivo Moraes, do Hospital São Paulo/Unifesp, ressalta que os dados coletados servem como um alerta inicial, não como diagnóstico.

"Nas patologias, a pressão alta, o batimento acelerado, alguns tipos de arritmia, essas doenças precisam de um diagnóstico, de uma validação médica", afirma. Para ele, o valor dos dispositivos está na triagem: "É a triagem de que alguma coisa possa estar errada e que te motiva a buscar um auxílio médico para um diagnóstico e para uma orientação terapêutica adequada."

Fonte: Band.
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