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Deputado do PL a Hilton na Comissão da Mulher: "Qual tamanho do seu útero?"
Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

A primeira sessão da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara sob a presidência da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), nesta quarta-feira (18), terminou sem votações após embates com a oposição, microfone cortado e ameaça de contestação à sua eleição.

A bancada oposicionista, formada em maioria por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), anunciou que vai recorrer da escolha de Erika Hilton para o comando do colegiado e apresentará representação contra ela no Conselho de Ética. Eles a acusam de atacar mulheres; a deputada nega e diz mirar apenas pessoas intolerantes.

Parlamentares desse grupo articulam ainda um projeto de resolução para incluir no Regimento Interno da Câmara uma regra que impeça, nas palavras deles, “mulheres não biológicas” de presidir a comissão, numa referência a mulheres trans.

Ao longo da reunião, oposicionistas reclamaram que requerimentos protocolados horas antes não entraram na pauta. Erika alegou motivos técnicos e propôs votar apenas itens de consenso, mas o acordo não avançou. Após pouco mais de duas horas, ela encerrou os trabalhos e prometeu incluir os pedidos da oposição na próxima sessão, prevista para abril.

Pergunta sobre útero e foco da comissão

Também houve novos ataques à identidade de gênero de Erika Hilton. O pastor Eurico (PL-PE) perguntou, durante sua fala: “Se Vossa Excelência é mulher, qual o tamanho do seu útero?”, pergunta que provocou tumulto. Em 2024, a Justiça já havia condenado o deputado a indenizá-la por repetir a mesma pergunta e chamá-la de “ex-cidadão que agora é cidadã”.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) reagiu lembrando o cenário de violência de gênero no país. “Enquanto tem gente que pergunta o tamanho do útero dos outros no Brasil, mulheres estão sendo assassinadas todos os dias pela violência machista”, disse. Ela defendeu que a comissão trabalhe apesar dos ataques e citou dados sobre mulheres agredidas, crianças estupradas e cerca de 34 mil meninas em situação de casamento infantil, embora a prática seja proibida por lei.

Postagem com 'imbeCIS' domina debate

A tensão cresceu quando deputados leram publicações recentes de Erika Hilton nas redes sociais. Em uma delas, a parlamentar escreveu: "A opinião de transfóbicos e imbeCIS é a última coisa que me importa', destacando o sufixo 'cis', usado para se referir a pessoas não trans.

A nova presidente manteve defesa das próprias falas, apesar da orientação do PSOL para evitar tumultos. 'Aquela postagem não se referia às mulheres, se referia ao esgoto da sociedade, à internet e às redes sociais', declarou. Questionada por Chris Tonietto (PL-RJ) se reafirmava a frase, respondeu: “Claro".

O debate se concentrou no termo 'imbeCIS'. Segundo Erika, a expressão mira 'transfóbicos' que 'rebaixam o debate público'. Na sequência, Júlia Zanatta (PL-SC) perguntou se Ratinho estaria incluído nesse 'esgoto da sociedade' e teve o microfone cortado. Erika disse que jamais usaria esse tipo de expressão para se referir a colegas, mesmo as que considera “intragáveis”.

Conflito com Ratinho entra na pauta

A menção ao apresentador Carlos Massa, o Ratinho, retomou polêmica da semana anterior. Horas após a eleição de Erika, em 11 de março, ele disse no SBT ser contrário à escolha porque “ela não é mulher, ela é trans”.

A deputada recorreu ao Ministério Público, pedindo investigação e indenização por danos morais coletivos, e ao Ministério das Comunicações, para que o programa fique 30 dias fora do ar. Ratinho afirmou que não pretende mudar de opinião.

Fonte: Band.
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