O Ministério Público (MP) de São Paulo protocolou denúncia contra a influenciadora Deolane Bezerra, o suposto integrante da facção criminosa Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros quatro investigados por suposto envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro. A Justiça agora decidirá se acata a denúncia tornando o grupo réu.
O documento da Promotoria aponta que os denunciados teriam estruturado uma complexa rede de empresas de fachada com o objetivo de ocultar a origem de recursos provenientes de atividades ilícitas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Deolane foi presa no último dia 21 pelo crime.
Segundo as investigações conduzidas pela Promotoria, a influenciadora teria utilizado sua notoriedade e empresas registradas em seu nome ou de terceiros ligados à sua rede de contatos para movimentar vultosas quantias em dinheiro. O órgão sustenta que essas operações não possuíam lastro comercial real, servindo apenas para dar uma aparência legal aos lucros obtidos com o tráfico de drogas e outras ações criminosas da facção.
A denúncia detalha que o elo entre o grupo empresarial e o núcleo do crime organizado seria consolidado por meio de transações financeiras fracionadas, evitando a notificação automática dos órgãos de controle financeiro. A Promotoria busca agora o bloqueio dos bens dos envolvidos para garantir o ressarcimento aos cofres públicos e a reparação dos danos sociais causados pela lavagem de capitais.
Além de Deolane e Marcola, os outros suspeitos denunciados pelo Ministério Público são: Everton de Sousa (suposto operador financeiro do esquema), Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Paloma Sanches Herbas Camacho (filhos de Alejandro). Os dois últimos estão foragidos no exterior, segundo a Promotoria.
Conexão com a cúpula da facção
Um dos pontos centrais da denúncia é a suposta participação direta de Marcola, apontado como o líder máximo da facção, na articulação logística para a lavagem dos valores. De acordo com o MP-SP, as ordens para que o dinheiro fosse inserido no sistema financeiro legal partiriam diretamente de instâncias superiores do grupo criminoso, que contava com o suporte técnico e a influência do grupo de empresas utilizado no esquema.
A Promotoria enfatiza que a sofisticação da operação exigiu uma vigilância prolongada das autoridades para conseguir mapear todo o fluxo financeiro. A acusação afirma ter reunido evidências robustas que ligam os denunciados a extratos bancários, notas fiscais falsas e depoimentos que comprovam o modus operandi da lavagem.
Defesa e próximos passos
Em nota, a defesa da influenciadora Deolane Bezerra rebateu as acusações, classificando a denúncia como infundada e baseada em suposições que desconsideram a origem lícita das atividades desenvolvidas por suas empresas. Os advogados reiteraram que colaborarão com a Justiça para esclarecer os fatos e demonstrar que todos os seus rendimentos possuem procedência comprovável.
Os demais citados no processo também devem apresentar suas manifestações nas próximas semanas. Caso a denúncia seja recebida pela Justiça, todos passarão à condição de réus em uma ação penal, onde terão a oportunidade de responder formalmente às acusações e apresentar provas em sua defesa antes de uma eventual sentença.
Marcola está isolado desde 2019
O advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marcola e seus familiares denunciados, rebateu a acusação apresentada pelo Ministério Público, classificando a narrativa do órgão ministerial como frágil e improcedente. A defesa afirma ser “inaceitável que a simples proximidade afetiva sirva de fundamento para uma acusação desta magnitude.”
A defesa destacou ainda a atual situação de Marcola e seu irmão, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior. Eles encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019. Segundo o advogado, submetidos a condições rigorosas de isolamento, com severas restrições de contato e comunicação com o mundo exterior.