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Clonagem de voz e imagem por IA: nova fronteira de golpes no Brasil

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma promessa tecnológica para se tornar uma ferramenta central em esquemas de estelionato digital no Brasil. Criminosos estão utilizando softwares avançados para clonar rostos e vozes com precisão quase absoluta, criando armadilhas que envolvem desde falsos concursos públicos até vídeos manipulados de celebridades para induzir vítimas a realizarem pagamentos indevidos.

Segundo especialistas, o que há dez anos exigia meses de processamento por programadores qualificados, hoje pode ser replicado em segundos por qualquer pessoa com acesso a ferramentas básicas de IA generativa. O impacto é direto: a qualidade das montagens já não apresenta os ruídos ou distorções comuns no início da popularização dos deepfakes.

Falsos concursos e uso de imagem de famosos

Um dos golpes mais sofisticados identificados recentemente envolve a criação de um site idêntico ao do Governo Federal para anunciar um falso concurso do IBAMA. Com a promessa de 15 mil vagas e salários de até R$ 9 mil, os criminosos atraíram candidatos que pagaram taxas de inscrição via PIX para contas sem qualquer vínculo com o instituto. Uma das vítimas relatou ter sido direcionada por links que simulavam perfeitamente a identidade visual oficial, evidenciando o poder da IA em replicar ecossistemas digitais inteiros.

Além das instituições, figuras públicas como o apresentador Renato Ambrósio e personalidades como Gisele Bündchen e Sérgio Reis tiveram suas imagens e vozes manipuladas. No caso de Ambrósio, os bandidos criaram uma chamada de vídeo falsa onde o apresentador anunciava que o interlocutor havia ganhado um prêmio, solicitando dados pessoais para a suposta liberação do valor. "Eu não ligo para ninguém pedindo dinheiro", alertou o apresentador em suas redes sociais.

O perigo do "roubo da voz"

A tecnologia não atinge apenas figuras públicas. Pessoas comuns também estão no radar. Katya, gestora de empresas, descobriu que um vídeo gravado para um projeto social foi editado por criminosos para servir de isca em um golpe financeiro. O choque com a qualidade da reprodução reflete o medo de ter a própria imagem sequestrada digitalmente para atividades ilícitas.

A clonagem de voz — técnica que permite reproduzir o timbre e a entonação de uma pessoa a partir de poucos segundos de áudio — é utilizada principalmente para simular emergências familiares. Os golpistas ligam para parentes fingindo ser um filho ou neto em situação de risco para pedir transferências urgentes.

Como se proteger

Especialistas em segurança cibernética recomendam uma postura de ceticismo constante no ambiente digital. Ao receber um vídeo ou áudio solicitando dinheiro ou dados sensíveis, mesmo que a imagem e a voz pareçam reais, é fundamental:

  • Verificar a fonte: Questione a origem da mensagem e tente contato por outro canal oficial.
  • Analisar detalhes: Procure por inconsistências no movimento labial ou falhas na textura da pele em vídeos.
  • Criar protocolos familiares: Estabelecer uma "palavra-chave" entre parentes para confirmar a identidade em casos de emergência.

A Polícia Civil orienta que qualquer vítima de fraude digital registre um boletim de ocorrência imediatamente, fornecendo prints e comprovantes de transações para auxiliar no rastreamento das contas receptoras.

Fonte: Band.
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