O céu do Brasil registra a ocorrência de um evento astronômico duplo nas madrugadas de 30 e 31 de julho, quando duas chuvas de meteoros atingem o pico de atividade simultaneamente. O país está em uma posição geográfica privilegiada para a observação da Delta Aquáridas do Sul e da Alfa Capricornídeas.
Enquanto a Delta Aquáridas apresenta entre 15 e 25 meteoros por hora, caracterizados por rastejos rápidos e esbranquiçados, a Alfa Capricornídeas registra cerca de 5 meteoros por hora, mas destaca-se pela produção de bolas de fogo (fireballs) intensas e coloridas.
O principal desafio para os observadores neste ano é a presença da Lua, que chega ao pico de luminosidade logo após a fase cheia, mantendo cerca de 98% de sua iluminação. A luz refletida pelo satélite natural reduz a visibilidade dos meteoros menos intensos. No entanto, os rastros mais brilhantes da Delta Aquáridas e os bolídeos das Alfa Capricornídeas continuam visíveis a olho nu.
Para acompanhar o espetáculo celestial, o momento mais favorável ocorre entre a meia-noite e o amanhecer, com janela ideal de observação concentrada entre 2h e 4h da manhã. Especialistas orientam a não utilizar equipamentos como binóculos ou telescópios, pois o uso de lentes reduz o campo de visão necessário para captar os rastros luminosos.
A recomendação é buscar locais distantes do centro urbano, como zonas rurais, regiões serranas ou praias afastadas da poluição luminosa. Para mitigar o impacto da luz lunar, o observador deve posicionar-se de costas para a Lua ou utilizar obstáculos naturais e arquitetônicos, como árvores e prédios, para bloquear o clarão.
O tempo de adaptação dos olhos ao escuro leva entre 20 e 30 minutos, período no qual se deve evitar o uso de telas de celular.
Entenda a origem e a mecânica das chuvas de meteoros
As chuvas de meteoros ocorrem no momento em que a Terra, em seu movimento de translação ao redor do Sol, atravessa a trilha de detritos deixada por cometas ou asteroides. O fenômeno registrado no final de julho resulta da interação do planeta com os rastros de dois corpos celestes específicos.
Os fragmentos da Delta Aquáridas do Sul são originados do Cometa 96P/Machholz, descoberto em 1986, que possui ciclo curto de translação e perde material continuamente. Já os detritos da Alfa Capricornídeas derivam do Cometa 169P/NEAT; estima-se que metade desse cometa tenha se desintegrado há milhares de anos, gerando o campo de rochas que a Terra cruza anualmente.
Ao ingressar na atmosfera terrestre a velocidades que variam entre 20 km/s e 40 km/s, as partículas provocam a compressão rápida do ar à sua frente, elevando a temperatura a milhares de graus Celsius.
Esse calor intenso vaporiza o fragmento de rocha e ioniza os gases ao redor. Portanto, o rastro luminoso observado no céu não é o fragmento em chamas, mas o gás atmosférico incandescente ao longo da trajetória do meteoro.
No caso da chuva Alfa Capricornídeas, a formação de "bolas de fogo" decorre da presençade pedaços maiores de rocha e cascalho em sua nuvem de detritos.
Por demorarem mais tempo para se vaporizarem totalmente na atmosfera, esses fragmentos geram bolídeos excepcionalmente brilhantes, capazes de superar a luminosidade do planeta Vênus e deixar rastros coloridos perceptíveis por alguns segundos. Como a órbita da Terra é constante e previsível, a interseção com essas duas trilhas de poeira cósmica ocorre sempre na última semana de julho.