O avanço da incidência de câncer no Brasil deve levar o país a registrar cerca de 781 mil novos diagnósticos por ano até 2028, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA). O cenário coloca em evidência os desafios no enfrentamento da doença e reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, tema que ganha destaque no Dia Mundial de Luta Contra o Câncer, celebrado em 8 de abril.
Mesmo com os recursos atuais da medicina, o aumento dos casos acende um alerta para fatores já conhecidos. “Vivemos um momento de evolução importante na oncologia, mas o crescimento da incidência exige atenção redobrada. É um cenário que reforça a necessidade de avançarmos, com urgência, em estratégias de prevenção e diagnóstico precoce”, afirma o oncologista Diocésio Andrade.
Entre os fatores associados a esse crescimento estão o envelhecimento da população e hábitos de vida, como sedentarismo, alimentação inadequada, consumo de álcool e tabagismo.
Diante desse cenário, novas tecnologias têm ampliado as possibilidades de diagnóstico e tratamento. “Hoje conseguimos avançar não só nas abordagens terapêuticas, mas também na identificação da doença com mais precisão e em estágios mais iniciais”, explica Andrade.
Inovação redefine diagnóstico e tratamento do câncer
Entre as inovações, a inteligência artificial vem sendo estudada para prever o risco de metástase a partir da análise genética de tumores, enquanto a biópsia líquida surge como alternativa menos invasiva para detectar e monitorar a doença por meio de exames de sangue.
No campo da prevenção, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Anvisa, aprovou a ampliação do uso da vacina contra o HPV para a prevenção de cânceres de orofaringe, cabeça e pescoço, avanço considerado relevante no enfrentamento da doença.
Já no tratamento, a produção nacional do pembrolizumabe, medicamento utilizado em imunoterapia contra diferentes tipos de câncer, deve facilitar o acesso a esse tipo de abordagem na rede pública. Além disso, as primeiras telecirurgias robóticas realizadas no SUS em 2026 apontam novos caminhos para ampliar o acesso a procedimentos complexos.
Mesmo com os avanços, a prevenção segue como um dos principais caminhos para reduzir o impacto da doença. “Grande parte dos casos está associada a fatores modificáveis. Alimentação equilibrada, atividade física, controle do peso, evitar o tabagismo e o consumo de álcool, além de manter os exames em dia, são medidas que fazem diferença na redução do risco”, destaca Andrade.