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Café, frutas e carne bovina ajudam a conter a alta na inflação no país
Reprodução/Sociedade Brasileira de Fruticultura

O índice de inflação oficial brasileira perdeu força no último mês em razão da queda de preços de alguns alimentos, como o café, as frutas e até a carne bovina. É a primeira queda registrada nesse grupo desde o ano passado. O índice fechou em 0,16%.

O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta sexta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é o menor índice mensal registrado no país desde outubro de 2025.

No acumulado do primeiro semestre, a inflação do Brasil fica em 3,36%. Nos últimos 12 meses, o IPCA soma 4,64%, valor que se posiciona ligeiramente acima da meta estipulada pelo governo federal, de até 4,5%. Apesar disso, o indicador demonstra desaceleração frente ao acumulado até maio, quando atingia 4,72%. Em junho de 2025, o índice havia fechado em 0,24%.

Alimentos puxam o índice para baixo

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo instituto, o setor de alimentos representou a maior pressão de baixa. O grupo de alimentação e bebidas registrou recuo de 0,24%, gerando um impacto negativo de 0,05 ponto percentual no IPCA geral. Esta é a primeira deflação (inflação negativa) do segmento desde novembro do ano passado e o menor número desde agosto de 2025, quando atingiu -0,83%.

Dentro do grupo, a alimentação no domicílio ficou em média 0,39% mais barata para os consumidores. Entre os produtos alimentícios que antes pressionavam o bolso e agora puxaram o índice para baixo, destacam-se o café moído, com queda de 3,72%, as frutas, com redução de 1,58%, e as carnes, que registraram recuo de 0,64%.

Também apresentaram retração o açaí em emulsão, com queda expressiva de 14,41%, o óleo de soja, com redução de 2,78%, e o tomate, que ficou 2,02% mais barato no período. Já a alimentação fora do domicílio seguiu a rota oposta das refeições em casa e registrou alta de 0,15% em junho.

De acordo com o analista da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, o recuo generalizado dos preços dos alimentos mostra uma tendência clara de mercado. O especialista avalia que o movimento representa uma devolução de altas recentes, além de ser o reflexo direto de uma maior oferta de alguns produtos no campo, como ocorreu com o tomate.

Custos com habitação e energia elétrica sobem

Por outro lado, a maior pressão de alta no mês ficou com o grupo habitação, que avançou 0,63% e gerou um impacto positivo de 0,10 ponto percentual no índice. Dentro desse grupo, o custo da energia elétrica subiu 1,53%, sendo o elemento individual que mais contribuiu para a inflação de junho.

O IBGE explica que o encarecimento da conta de luz decorre da manutenção da bandeira tarifária amarela. O sistema de bandeiras aplica uma taxa extra na cobrança quando o custo de geração de energia aumenta no país. Neste caso, houve um acréscimo de R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora (kWh) consumidos, além de reajustes tarifários locais em Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.

No grupo de transportes, que avançou 0,17%, as passagens aéreas subiram 7,12% e pressionaram o índice para cima. O avanço do setor não foi maior porque os combustíveis ficaram 0,48% mais baratos. O etanol liderou as quedas com recuo de 3,09%, seguido pelo óleo diesel, com redução de 1,19%, gás veicular, com baixa de 0,19%, e a gasolina, que recuou 0,12%.

O índice de difusão, que mede o percentual de produtos com aumento de preços, fechou em 54%. O indicador mostra que mais da metade dos 377 itens pesquisados pelo IBGE teve alta. Apesar de abranger a maioria dos produtos, o dado de junho é o menor desde outubro de 2025, quando a difusão estava em 52%.

Fonte: Band.
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