Entre atabaques, agogôs, sanfonas e batidas de funk, a cantora Anitta transformou experiências de fé, ancestralidade e busca por equilíbrio em inspiração para a música. No álbum recém-lançado Equilibrivm II, oitavo de sua carreira, a artista reúne sonoridades das religiões afro-brasileiras, da música popular e dos ritmos urbanos.
Em edição especial do programa Sem Censura, da TV Brasil, nessa terça-feira (11), ela contou como essa relação com a espiritualidade, presente desde a infância, atravessou diferentes momentos de sua trajetória até chegar ao novo trabalho.
Aos 8 anos, ela frequentava todos os domingos uma igreja, levada pela mãe. Ao mesmo tempo, era acompanhada pelo pai, ligado à umbanda e que posteriormente se tornou pai de santo no candomblé. Em 2018, Anitta lembra que passou a ser muito cobrada por não se posicionar politicamente. Ela explicou que passava por um processo de reclusão religiosa naquele momento.
“Com essa rapidez da internet, um dia, dois, uma semana de silêncio é muito tempo. Só que nessa época eu estava fazendo santo, e a gente fica ali deitada para o seu santo de cabeça no terreiro de candomblé por um mês.” Foi então que a artista decidiu falar publicamente sobre sua ligação com o candomblé.
“Eu não tinha 'saído do armário' ainda, porque, na época, era muito prejudicial para as publicidades, para as campanhas, para você fazer dinheiro, para você vender. Era perigosíssimo.”
Anitta teve problemas de saúde por rotina intensa de trabalho
Para o "Sem Censura", ela contou que chegou a um período de intenso desgaste físico provocado pela rotina profissional. Segundo ela, a agenda incluía viagens constantes e poucas pausas.
“Eu já estava bem doente, fisicamente, porque eu não tinha folga e tinha uma folga por mês. Eu vivia no avião, metade da semana eu dormia no avião, porque tinha a carreira internacional.” Para a cantora, a rotina afetou a capacidade do organismo de se recuperar.
“E aí o seu corpo vai ficando muito inflamado. O corpo vai perdendo a capacidade de processar.” Foi nesse contexto que Anitta contou ter procurado a terapeuta Max Tovar, há cerca de quatro anos. A cantora participou de um retiro, onde escreveu parte das falas presentes no novo álbum.